Dentro dos lenços existentes no Minho há uma variedade
que pelas suas características se pode localizar com um mínimo
de rigor a sua região de origem.
Os recolhidos na Aliança Artesanal estão compreendidos
mais ou menos dentro da zona do que é o actual concelho de Vila
Verde.
Para além destes lenços constituírem parte integrante
do trajo do Minho eles eram também usados no Douro Litoral,
Trás-os-Montes, Beira Alta, Estremadura, Alentejo e Açores.
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Os lenços de namorados" constituíam a um dado momento
uma prova da declaração feita pela bordadeira ao seu
namorado e na maior parte dos casos esta declaração era
atendida e o conversado comprometia-se, também, publicamente
nesta ligação usando o lenço por cima do seu casaco
domingueiro, colocado ao pescoço com o nó voltado para
a frente.
Caso a rapariga não fosse correspondida o lenço voltaria às
suas mãos. Se o namorado trocasse de parceira fazia chegar à sua
antiga pretendida o lenço, fazendo-o acompanhar de todos os
objectos que daquela possuía: fotografias, cartas, etc.
Outras vezes os lenços eram motivo duma simples brincadeira
ou troca de palavras. Nas festas os rapazes tiravam os lenços
das raparigas simulando uma ligação amorosa. Quando o
rapaz já tinha namorada o facto de simular uma ligação
com outra ao roubar-lhe o lenço era muitas vezes motivo de desavença
entre a sua namorada e aquela a quem o lenço tinha sido roubado.
O lenço no rapaz para além de ser usado por cima do
casaco domingueiro podia, também, ser usado na aba do chapéu
ou até mesmo na ponta do pau que era costume o rapaz trazer
consigo.
Quando eram utilizados pelas suas “donas” no seu trajo
de festa, estes eram colocados do lado direito da cintura, deixando
pender uma das pontas, dando assim à sua indumentária
uma graciosidade particular.
Os lenços traduzem os mais variados sentimentos duma rapariga
em idade de casar, quer manifestados através dos símbolos
que se prendem com a fidelidade, quer através de símbolos
religiosos que referem o acto específico do casamento, ou ainda
através de quadras de gosto popular, que na maior parte dos
casos denunciam a ignorância ortográfica da bordadeira,
pois facilmente nos deparamos com erros ortográficos dos mais
variados.
Por vezes são também testemunhos de épocas (a
emigração para o Brasil), de trabalhos agrícolas
(vindimas) e até de críticas sociais. Em alguns dos lenços
por nós recolhidos aparece mesmo o reverso do tema característico
destes lenços, o desamor e alguns deles possuem quadras que
embora denotem uma certa dificuldade de relação amorosa,
possuem um carácter sobretudo provatório para com o namorado.
Tudo era feito em função da fantasia das fantasias -
o Amor - e ele de facto parece ser a causa directa desta rica e exuberante
manifestação artesanal.